Ser mulher

Na Europa, violência doméstica é vista pela Justiça de formas bem diferentes

FONTE: G1 - Foto: Pixabay

Na Europa, duas decisões da Justiça mostram abordagens absolutamente opostas sobre a questão da violência doméstica.

A agressão dentro de casa pode doer ainda mais do que na rua. O Conselho de Juízes da Inglaterra levou em conta o risco de ameaça contínua para pedir mais rigor nas sentenças.

A violência doméstica representa a violação de um espaço de confiança. Não são só os hematomas que contam; o trauma também. O abuso pode ser psicológico, sexual e até virtual.

As novas diretrizes reconhecem pela primeira vez agressões em e-mails e mensagens. A Justiça - que já é cega - deve se fazer também de surda até mesmo quando a própria vítima pede que o agressor seja perdoado.

A mensagem na Inglaterra é que a violência doméstica não tem mais lugar no país. Um movimento bem diferente do que acontece na Rússia. Deputados aprovaram uma lei sobre a agressão mútua: namorado ou marido pode bater na mulher uma vez ao ano, e só vai para a cadeia se quebrar os ossos da vítima.

A descriminalização da violência doméstica foi aprovada por 385 votos a favor, um contra e uma abstenção.

Foram duas mulheres que apresentaram o projeto. O argumento é que o Estado não deve se meter nos assuntos de família e que ninguém “se ofende quando vê um homem bater na esposa”.

Um russo disse que “quem aprovou a lei merece uma surra. Mulher é algo sagrado e precisa ser respeitada”.

Já uma russa falou que “as deputadas devem gostar de apanhar”. Ela, não. A moça contou que já foi agredida e teve dificuldade para fazer a denúncia.

Algumas se recusam a dividir o travesseiro com a ameaça e escapam. Num abrigo, a porta é de aço. A ONG oferece proteção quando a polícia cruza os braços.

A violência doméstica aparece num provérbio russo antigo que diz “bater significa amar”. Uma ativista afirma que a população não acredita mais nisso. Ela cita uma pesquisa que mostra que a maioria considera, sim, a violência doméstica um problema sério.

Em vez de se esconder, muitas vítimas preferem esconder as marcas da violência. Uma mulher já tatuou de graça mais de 200. Ela explica que as tatuagens disfarçam uma dor ainda mais profunda.

 

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