Direitos humanos

Quem era Marielle Franco

FONTE: ESTUDOPRÁTICO - Por Pollyana Batista 

Nome pouco conhecido a nível nacional até março de 2018, Marielle Franco estampou as manchetes de jornais do mundo inteiro ao ser vítima de uma execução no Rio de Janeiro.

O assassinato de Marielle revelou uma face destemida da criminalidade que domina o Brasil. A vereadora defendia as causas das mulheres, negros e LGBTs e representava os 46 mil votos que obteve nas eleições de 2016, tornando-se a 5ª parlamentar mais votada da cidade do RJ.

Marielle era crítica ferrenha da intervenção federal que se estabeleceu no Rio de Janeiro em fevereiro de 2018 e frequentemente acusava a Polícia Militar de matar gente inocente nas comunidades mais pobres do município. Uma dia antes de ser executada ela publicou em sua rede social: “quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”.

Conheça a história de Marielle Franco

Logo após sua morte, vários boatos começaram a surgir na tentativa de difamar a imagem da ativista. Um deles daria conta que a vereadora era ex-namorada de um famoso traficante preso há mais de 20 anos e que teria até uma filha com ele.

Pensando nisso, a assessoria de Marielle Franco criou um site para apresentar a história de vida da vereadora. Confira agora a biografia da ativista.

Nascimento e família

Filha de Marinete e Antônio Francisco da Silva Neto, Marielle Franco nasceu 1980, no Complexo da Maré, conjunto de favelas localizadas na Zona Norte carioca. Com apenas 11 anos, começou a trabalhar para ajudar a família.

Teve uma breve passagem ainda na juventude na equipe do Furacão 2000, uma equipe de som, gravadora e produtora de shows de funk. Em 1998, nasceu sua única filha e, nesse mesmo ano, ela começou a fazer cursinho pré-vestibular.

Ativismo

Em 1998, uma tragédia pessoal marcou a vida de Marielle: uma das suas melhores amigas morreria após ser atingida por uma bala perdida em um confronto entre policiais e traficantes da Maré. Seria essa dor que impulsionaria a jovem a ingressar na luta pelos direitos humanos.

Sobre essa fase da sua vida, Marielle explica no seu site: “iniciei minha militância em direitos humanos após ingressar no pré-vestibular comunitário e perder uma amiga, vítima de bala perdida, num tiroteio entre policiais e traficantes no Complexo da Maré. Aos 19 anos, me tornei mãe de uma menina. Isso me ajudou a me constituir como lutadora pelos direitos das mulheres e debater esse tema nas favelas”.

Em 2002, a vereadora conseguiu entrar na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a Puc-RJ, para o curso de Ciências Sociais. Bolsista do Prouni, o Programa Universidade para Todos, ela se formou e seguiu carreira acadêmica na Universidade Federal Fluminente, a UFF, fazendo mestrado.

A tese tinha tudo a ver com o que Marielle defendia. Sobre isso, a vereadora explicou em seu site: “Me formei pela PUC-Rio, e fiz mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Minha dissertação teve como tema: “UPP: a redução da favela a três letras”.

Política

Em 2006, ela começou a atuar no campo político logo depois que seu amigo Marcelo Freixo foi eleito deputado pelo estado do Rio de Janeiro. Isso daria início a uma parceria de 10 anos, até que Marielle conquistou o seu próprio cargo de vereadora.

No site oficial, há menção aos trabalhos desenvolvidos nessa época: “Trabalhei em organizações da sociedade civil como a Brasil Foundation e o Centro de Ações Solidárias da Maré (Ceasm). Coordenei a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), ao lado de Marcelo Freixo”.

Enquanto parlamentar, Marielle presidiu a Comissão de Defesa da Mulher e, quando foi executada, integrava uma comissão para monitorar a intervenção federal no Rio de Janeiro.

Marielle Franco foi executada com quatro tiros na cabeça em março de 2018

Conheça três projetos de lei da vereadora que eram destaques na sua agenda:

- Projeto de Lei #AssédioNãoÉPassageiro

Esse projeto tinha por objetivo acabar com o assédio sofrido pelas mulheres dentro dos transporte público, pois a cada 16 horas, uma mulher denuncia que sofre esse tipo de violência no RJ.

- Projeto de Lei 0265/2017 Lei das Casas de Parto

Projeto para estimular a criação de casas de parto nas zonas de menor IDH do município. A iniciativa visa reproduzir o sucesso da Casa de Parto de Realengo, cujo número de partos já ultrapassa os 3.000 partos, sem nenhuma morte de mães.

- Projeto de Lei 0017/2017 Espaço Coruja / Espaço Infantil Noturno

Esse projeto visa o atendimento dos pais e mães que trabalham ou estudam à noite e não têm onde deixar os seus filhos pequenos. A ideia é criar um Espaço Infantil Noturno no Rio.

Sobre boatos envolvendo Marielle Franco

A respeito dos boatos mentirosos que visavam manchar a biografia de Marielle Franco, sua assessoria se pronunciou no site oficial da vereadora.

“No dia 14 de março, Marielle Franco foi assassinada a tiros junto com Anderson Gomes, seu motorista, quando voltava de um evento com jovens negras. A dor da sua morte e de tudo o que ela simbolizava desencadeou homenagens emocionadas em redes sociais e grandes manifestações nas ruas pelo Brasil e no mundo. Mas também gerou uma série de acusações falsas sobre a sua história e sua atuação”.

A nota finaliza com: “esse ataque à Marielle é simplesmente inadmissível. Uma coisa é debater sobre posicionamentos políticos. Outra bem diferente é caluniar, repercutir mentiras e desrespeitar a sua memória e o luto de seus familiares e amigos”.

 

 

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