Terceiro setor

Como grandes empresas têm engajado seus colaboradores em ações de voluntariado

Fonte : Razões para acreditar

Dia 28 de agosto é comemorado o "Dia Nacional do Voluntariado" e cada vez mais as empresas têm se engajado nesta proposta.

As ações não visam apenas cumprir um papel social, e sim agregar conhecimento de ambos os lados.

A seguir, vamos abordar como a multinacional Johnson & Johnson e a MGN Consultoria desenvolvem ações voluntárias em seus ramos de atividade.

Johnson & Johnson
O voluntariado é uma iniciativa que está presente há muitos anos no DNA da Johnson & Johnson, segundo Valéria Militelli, Líder de Global Community Impact da Johnson & Johnson para a América Latina.

Em 2018, a multinacional trabalhou com o pilar “nossas pessoas”, que significa: respeito, inclusão e participação. A partir daí, foi criada uma visão positiva que alcançou avanços no relatório anual da companhia, ‘Saúde para a Humanidade’. Entre os países em que a empresa está presente, o Brasil conquistou resultados expressivos que reforçam este engajamento entre colaborador e empresa.

Um desses projetos realizados no ano passado foi o “Maratona de Aceleração Social 2018”. O propósito desse programa foi a inclusão e participação do funcionário como voluntário com a tarefa de solucionar desafios de gestão de Organizações Sociais das regiões de São Paulo e São José dos Campos. Segundo dados da empresa, na edição passada foram 15 instituições beneficiadas pela iniciativa, que impactou a vida de mais de 1.316.962 pessoas em causas, como: câncer, deficiências auditiva, física, intelectual e visual, entre outras. Segundo Militelli, quem participou da aceleração se sentiu beneficiado e indicaria a experiência a seus colegas de trabalho.

“Uma pesquisa realizada após a ação Maratona de Aceleração Social 2018 apontou que, em média, 62% disseram que a iniciativa ofereceu oportunidades únicas de desenvolvimento em relação às atividades desenvolvidas na companhia. E cerca da metade (49%) mencionou que a melhor experiência vivida foi o quanto a ação estava alinhada com os propósitos da Johnson & Johnson, aumentando a satisfação em trabalhar na empresa. 98% dos participantes relataram interesse em participar do projeto no próximo ano”, explica Militelli.

Neste ano, outra maratona será realizada no Brasil, além da primeira edição no México.

A empresa ainda tem por objetivo global possuir “a força de trabalho mais saudável do mundo” até 2020.

Como foi na prática a Maratona Aceleração Social 2018

Para a colaboradora Sofia Panzero, que é Sr Specialist, Recruiter Talent Acquisition da J&J, a experiência serviu para que colocasse em prática suas habilidades corporativas. “Através da metodologia de Design Thinking tivemos a oportunidade de conhecer melhor o gargalo escolhido pela ONG e fazer um trabalho de imersão para resolvê-lo em 2 dias”, explica Sofia.

Ela também ressalta que a visita à ONG fez com que a equipe se reunisse para para buscar ideias inovadoras, que é “um brainstorm para troca de práticas e muita organização e agilidade para uma entrega em um curto período”.

Ao final da experiência, Panzero diz que eles conseguiram entender a real necessidade da ONG e construíram algo que agregasse valor à entidade.

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Para Sofia, ter a oportunidade de trabalhar no programa lhe trouxe benefícios pessoais e um feedback da J&J que sempre destacou suas habilidades com processos e números, mesmo sendo da área de Recursos Humanos. Após a maratona, ela adquiriu maior facilidade em lidar com pessoas diferentes e de opiniões contrárias às suas.

“Também me ajudou a lidar melhor com prazos apertados para alguns projetos. Tudo isso me impulsionou a me candidatar em outros projetos voluntários maiores dentro da companhia”, conclui.

A J&J atua em várias frentes de voluntariado ao longo desses anos de companhia. E um desses programas, o Global Pro Bono, escolheu um colaborador brasileiro para se juntar a colegas de outros países em que a multinacional atua.

O colaborador acredita que as crianças que ajudou podem ter sido “picadas” pelo bichinho do voluntariado e que tenha contribuído para uma vida melhor para elas no futuro. Ele admite que mesmo que elas passem por dificuldades pelas quais ele não passa, sente que conseguiu “transmitir que você ajudar o próximo independe de dinheiro, de tempo ou do conhecimento que tenha”.

“Ao final do programa de voluntariado, entregamos um projeto de Early Child Development and mental Health para a crianças de Porto Rico. Trata-se de um programa de rádio e TV que visa o alcance de todos os pais da ilha e que começou a ser aplicado, na prática, em fevereiro de 2019. Deixamos um legado. No final, isso que vale e vale muito”, conta Carlos.

Das participações em ações voluntárias durante a adolescência, surgiu em Marcelo Nanohay o desejo de fazer desta prática sua atividade profissional. Sendo assim, em 2006 ele fundou a MGN Consultoria, que atua em todas as fases da gestão de um projeto voltado ao voluntariado empresarial, desde o planejamento e concepção até o apoio operacional e por fim, a avaliação de seu impacto.

“Desenvolvemos e acompanhamos iniciativas em mais de 150 cidades no Brasil, além de Argentina, Peru, Colômbia, Panamá, México e Estados Unidos. Já capacitamos mais de 15 mil colaboradores de empresas para atuar na comunidade. Ah, e temos um orgulho danado do que fazemos!”, complementa Nanohay.

Para o diretor, já deixou de ser uma tendência as grandes empresas realizarem ações de voluntariado. E as que ainda não desenvolveram o próprio programa, “estão em busca de desenvolver um”, ressalta.

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Marcelo Nanohay, diretor da MGN Consultoria. Foto: Reprodução
Hoje, muitas ações estão voltadas a projetos de atitudes transformadoras. Porém, não é uma tarefa fácil de ser executada. Requer um planejamento e ajuda de bons parceiros, principalmente das Organizações Sociais. Além do envolvimento dos líderes de uma companhia, que devem engajar seus colaboradores. A empresa também precisa entender que o orçamento deve ser tratado como um investimento social, ou seja, ele trará retorno.

O diretor ainda comenta sobre o impacto que é gerado nos colaboradores que já doaram seu tempo a ações voluntárias.

“O que mais escuto dos voluntários após uma ação é que fica um sentimento de que essa pessoa foi para a comunidade para ‘ajudar’, porém quem mais foi ‘ajudado’ foi o próprio voluntário.”

Ele finaliza dizendo que “as pessoas que atuam como voluntárias desenvolvem competências, aumentam seu engajamento e sentimento de pertencimento em relação à empresa, praticam responsabilidade social e exercitam a cidadania”.

Em ambos os casos, vimos a importância do voluntariado para a empresa (uma oportunidade para aumentar seu impacto social positivo na sociedade), para o colaborador (desenvolve novas habilidades, como o aprimoramento da relação interpessoal com pessoas que pensam diferente e a execução de metas em prazos apertados) e, obviamente, para o grupo alvo da ação voluntária! No final do dia, todos saem ganhando!

Foto destacada: Reprodução