Terceiro setor

Grandes filantropos brasileiros investirão até 5 milhões em ONGs

FONTE: 19 TREINAMENTOS

Grupo liderado por Elie Horn irá selecionar 50 entidades para receber aportes

Grandes filantropos brasileiros investirão até 5 milhões em ONGs – Liderado pelo bilionário filantropo brasileiro Elie Horn ao lado de Eugenio Mattar (Localiza), Luciano Huck e Rubens Menin (MRV Engenharia), o Movimento Bem Maior é lançado nesta quinta-feira (2) com uma meta ousada: dobrar o volume de colaborações em relação ao PIB brasileiro em dez anos.

“Eles são empresários que dão exemplo como pessoa física e eles gostariam que o exemplo deles fosse movimentar mais gente”, explica a presidente Carola Matarazzo, em entrevista exclusiva à Folha.

No último World Giving Index (conhecido como Ranking da Solidariedade), em 2018, o país caiu 47 posições, e, hoje, as doações representam 0,23% do PIB nacional. “Eu não acho que o brasileiro não seja um povo solidário”, afirma a presidente. “É um problema de descrença [no terceiro setor].”

Para mudar essa cultura, ela explica que o movimento, fundado como organização social, irá trabalhar com campanhas, engajamento de influenciadores e eventualmente financiamento de eventos relevantes.

Além de editais para financiar organizações da sociedade civil, como o anunciado nesta quinta, que fará um aporte de até R$ 5 milhões para 50 entidades. Os projetos irão receber até R$ 100 mil cada e, para participar, devem se inscrever até 24 de maio, pelo site.

“Pretendemos trabalhar com matching também, onde a população possa se envolver nos projetos e os empresários fazerem um matching do que falta para poder viabilizar.”

O que é o movimento Bem Maior? O Movimento Bem Maior foi fundado no começo deste ano por quatro empresários: Elie Horn, Eugênio Mattar, Rubens Benim e Luciano Huck. O seu Elie tinha uma vontade de montar um grande movimento que pudesse chacoalhar o terceiro setor.

Eles montaram esse movimento com a intenção de mexer com a cultura de colaboração no país, em que eles pudessem reunir empresários que são grandes filantropos e, com o exemplo deles, chamar mais gente para esse grupo.

[O objetivo é] Movimentar o setor através de filantropia, investimento social privado e conscientização da necessidade da organização da sociedade civil, em que a gente possa falar do engajamento das pessoas, da corresponsabilidade das pessoas para a transformação social do país.

Por que esses três pilares? Temos estudado bastante a filantropia no país e temos visto a necessidade de comunicar para a sociedade que não dependemos só do governo. Segundo porque a necessidade do aumento das doações no país para poder ajudar as pequenas e médias entidades sociais é iminente.

E terceiro porque, com a força que esses empresários têm de mídia, de networking, eles podem realmente fazer no Brasil um grande movimento. Ondas de engajamento, de conscientização, trazer modelos de fora. É um movimento aberto para todas as causas. Temos 11 causas que abarcam praticamente todas.

Quando falamos de filantropia e investimento social privado, vamos apoiar projetos escolhidos através de edital. Nosso primeiro edital sai agora quinta-feira.

O que é esse edital? O Luciano Huck vai fazer o chamamento do edital pelas mídias sociais dele. É um edital que visa, nesse primeiro momento, olhar para pequenas entidades sociais ou coletivos de pessoas que façam um trabalho extremamente relevante para o país, de alto impacto, mas que não tenha luz, que não tenha sido ainda olhado e eventualmente melhorado pela sua eficiência.

Quantas organizações serão selecionadas? Nesse primeiro momento são 50. Estamos querendo usar esse primeiro edital como um protótipo. São projetos pelo Brasil inteiro, e temos uma régua de avaliação, de monitoramento para entender qual a maior demanda por região, fazer um levantamento de dados.

Pretendemos trabalhar com matching também, onde a população possa se envolver nos projetos e os empresários fazerem um matching do que falta para poder viabilizar.

Por que o valor de até R$ 100 mil por entidade? São valores que entendemos que, para pequenos projetos, podem fazer a diferença. Estamos falando de coletivos, de projetos que realmente estão no sertão profundo do Brasil, distante de capitais, que fazem a diferença naquelas comunidades locais e não têm acesso a crédito, financiamento, editais.

O edital tem um manual bastante transparente para ajudá-los na formulação das propostas e vamos selecionar cem projetos que vão para voto popular. E vamos mandar material para essas entidades escolhidas para que elas possam fazer a divulgação nas suas redes, nas suas comunidades locais.

Aí temos realmente um início de um controle social da comunidade, olhando para o projeto e mostrando que aquele projeto é relevante naquele lugar.

Qual a estratégia do movimento para dobrar o volume de doações? Temos uma régua de estratégias. Estamos estudando como viabilizar isso, desde campanhas nacionais, mídias digitais, engajamento de influenciadores e até eventualmente financiamento de eventos relevantes para o setor.

É uma meta de médio a longo prazo, uma vez que estamos falando de uma mudança de cultura, de posicionamento de uma sociedade civil. É uma meta ousada, mas que a gente vai persegui-la.

Na sua opinião, por que o brasileiro doa pouco, em sua opinião? Eu acho que são vários os fatores. O primeiro, a falta de confiança nas ONGs e no terceiro setor até por falta de conhecimento, falta de informações de qualidade, da relevância do setor para o país.

Segundo, falta, sem dúvida nenhuma, incentivos fiscais, mecanismos eficientes, menos burocráticos para que as doações possam realmente, as maiores principalmente, ser efetivas. Eu não acho que o brasileiro não seja um povo solidário. É extremamente solidário, principalmente nas classes mais baixas.

É um problema de descrença, de achar que é uma obrigação só do governo. São muitas variáveis, mas eu diria principalmente a descrença até por falta de conhecimento da relevância que esse setor tem para o país. Grandes filantropos brasileiros investirão até 5 milhões em ONGs