Preconceito

Quem disse que ballet é para jovens e magras? Escola quebra tabus

FONTE: SÓ NOTICIA BOA 

Uma escola de Ballet – ou balé, como preferir – está quebrando tabus em Brasília. Lá não tem idade nem peso que impeçam pessoas de dançar, se realizar e serem felizes.

É um espaço para resgatar a autoestima e o prazer de dançar em mulheres consideradas velhas demais para aprender, ou retomar o ballet clássico, explicou a criadora do projeto, a jornalista carioca Cláudia Bengtson, para o SóNotíciaBoa.

Cláudia, hoje com 51 anos de idade, começou a dançar ballet aos 39, mas se sentia constrangida nas escolas comuns. “Fazia aulas em turmas de adolescentes; não me sentia entrosada. “Ninguém admitia uma mulher madura como aluna de ballet. Eu tinha muito constrangimento de me assumir bailarina amadora. Anos depois, respondi para mim mesma. ‘Sou bailarina, sim. Por que não?!”.

“Sou uma bailarina diferente, sem pretensões de ser profissional, mas uma bailarina que dança por prazer e com potencial de crescimento como qualquer pessoa. Foi aí que resolvi fundar o Projeto de Ballet Adulto “Bailarinas Por que Não?! “, revela.

E deu certo. Este mês, quase quatro anos depois, Cláudia fundou a primeira escola exclusivamente dedicada ao ballet adulto em Brasília, um espaço para o adulto sentir-se totalmente à vontade para aprender a dançar, sem constrangimentos, nem preconceito.

A escola funciona na Asa Sul em Brasília.

As alunas

A psicanalista Sayô Bracks, de 56 anos, é a mais velha e a mais animadas do grupo. Começou a dançar aos 49 e sabe que o ballet exige dedicação e perseverança.

“O adulto já traz uma história corporal e começar a dançar nessa fase da vida não é simples, mas a gente supera tudo com força de vontade”, enfatiza.

A bibliotecária Jaqueline Aguieiros de 39 anos, precisou se estabelecer como profissional para finalmente realizar o sonho de fazer ballet. “Vivia no interior; não tinha acesso às artes e nem condições financeiras”.

A advogada Renata Varchavsky, de 45 anos, mãe de três filhos, que fez ballet na infância, não se sentia à vontade voltar à sala de aula depois de uma cirurgia de coluna.

Tem também a psicóloga Adriana Fittipaldi, de 40, que dançou ballet por muitos e que, depois do nascimento de seus dois filhos e de anos parada, volta aos palcos, agora, como solista.

História

Em agosto de 2015, a jornalista tomou coragem e fundou o Grupo de Ballet Adulto Bailarinas Por que Não?! para montar espetáculos para serem levados a teatros, espaços públicos, hospitais e escolas.

“Chamei minha professora de ballet, Adriana Palowa, 47, para ser minha parceira nesse trabalho como diretora artística do Projeto”, lembra.

“Tiro delas o melhor que elas têm para dar e de uma maneira prazerosa, respeitando os limites e com muito cuidado para evitar lesões. O diferencial do ballet adulto é que as alunas chegam aqui por vontade própria, sem obrigação, com maturidade. Então, o comprometimento é bem maior”, diz Adriana Palowa.

Em março de 2017, nasceu a Escola Bailarinas Por que Não?! de Ballet Adulto, hoje, dedicada ao ensino de alunas adultas, inclusive com mais de 60 anos.

Com a escola, veio também a professora Camilla Cavalcante, de 27 anos, que dá aulas para as alunas iniciantes e integra o Grupo Bailarinas Por que Não?!.

E tem apresentação chegando… “A Magia da Dança”, espetáculo que estreiou em novembro, será reapresentado dia 24 de maio no Teatro da Escola Parque 308 Sul, em Brasília.

Serviço

Projeto de Ballet Adulto “Bailarinas Por que Não?!
Endereço: CRS 503 – Bloco B – Loja 25 (Acesso pela W2) – Brasília/DF
Detalhes no Instagram e no Facebook do projeto