Fonte: Agência de Notícias do Maranhão 

“Estou muito feliz com essa nova conquista, pois vamos voltar a ser doadores.

Eu que sempre gostei de doar sangue para salvar vidas estou aqui de volta ao Hemomar para contribuir e mostrar que é possível uma mulher trans ser doadora de sangue”, afirma a técnica de enfermagem Pamella Martins. Desde 2012, Pamella estava impossibilitada de doar sangue por conta das restrições à doação por parte do público LGBTI+, limitações que foram extintas após decisão recente do Superior Tribunal Federal (STF).

Antes, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária só permitiam a doação sanguínea se homossexuais passassem um ano sem relações sexuais. A decisão do STF derruba a proibição e garante que homens gays, bissexuais e mulheres trans passem pela triagem clínica regular feita por todos os demais doadores voluntários.

“Gays, bissexuais, pessoas trans e outros que fazem parte do público LGBTI+ agora podem passar pelo processo de triagem dos hemocentros e contribuir com os bancos de sangue. Que possamos retomar nossos bancos de sangue, que estão com estoque muito baixo em razão da pandemia. Uma conquista histórica que rompe com preconceitos para salvar vidas”, comemora o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula.

Com a extinção das restrições, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Maranhão (Hemomar) espera o aumento do número de doadores e, consequentemente, do estoque de bolsas de sangue. “A orientação sexual da pessoa não é mais impedimento para fazer ou não fazer a doação, todos serão submetidos aos mesmos critérios, todos os Hemonúcleos do estado estão preparados para o atendimento. E com a nova orientação, a partir da decisão do Supremo Tribunal Federal esperamos continuar aumentando o volume de doações para possibilitar que muitas vidas sejam salvas”, disse Frassinete Araújo, coordenadora do Setor de Captação de Doadores do Hemomar.

Atualmente, o Hemomar está recebendo entre 150 e 170 bolsas doadas por dia, porém, o ideal seria a média diária de 330 doações.

“Estou feliz em conseguir finalizar hoje o meu processo de doação e poder auxiliar outras pessoas ainda mais no momento de pandemia em que nos encontramos, onde mais do que nunca as doações se fazem necessárias. Para mim é uma satisfação imensa ajudar a salvar vidas”, destaca o autônomo Fernando Costa.

A servidora pública Rosana Lima, que também estava impossibilitada de doar, destaca a importância desse momento. “Esse momento é histórico, é algo que vai ser lembrado por muito tempo. Um LGBTI+ ter o seu direito adquirido não tem preço, pois durante toda a nossa vida, muito direitos nossos foram negados e finalmente estamos aqui como cidadãos e como seres humanos, pois antes de sermos LGBTI+, somos seres humanos”, ressalta.

Para doar sangue, os voluntários podem agendar pelo WhatsApp (99162-3334) ou se dirigir ao Hemomar ou aos Hemonúcleos no interior do estado. Em São Luís, o Hemomar fica localizado na Rua Cinco de Janeiro, s/n, Jordoa.

Os critérios continuam os mesmos, isto é, ter idade entre 16 e 69 anos, menor precisa estar acompanhado de um responsável; pesar mais de 50 kg; não ter ingerido álcool nas últimas 24 horas; estar em boas condições de saúde; entre outros.