Fonte: For business - Imagem: by rawpixel.com from PxHere

Entenda quais são as principais tendências de diversidade e inclusão para 2021.

Com tantas notícias sobre a necessidade de ações de diversidade entre homens e mulheres, com a temática racial, entre outras, talvez esteja mais fácil conversar sobre esses temas em casa. A diversidade nas empresas também foi intensamente explorada. Até mesmo a pandemia nos deu lições sobre as desigualdades enfrentadas por trabalhadores e como é importante repará-las.

E quais serão os parâmetros de diversidade nas empresas? A que processos e conhecimentos os profissionais de RH, líderes e executivos devem estar atentos para que as organizações correspondam às exigências que a opinião pública tem feito por um mundo corporativo mais equilibrado e justo? E mais: quais os acertos na área de inclusão realizados neste ano que podem ser levados para o ano que vem?

Tendências de diversidade nas empresas
A pluralidade nas organizações nunca foi tão discutida. O programa de vagas exclusivas para negros da Magazine Luiza e, com ele, a importância de se gerir processos seletivos para esse grupo minorizado foram alguns dos assuntos em pauta, inclusive nas redes sociais. Nelas, e também na mídia, acadêmicos e acadêmicas negros, PcD, pessoas LGBTQIA+ estabeleceram narrativas de protagonismo e aproveitaram a visibilidade para também impactar a forma pela qual acontecem as dinâmicas empresariais.

A tarefa para o ano que vem está encaminhada. No entanto, a inclusão de mulheres e de pessoas negras no mercado de trabalho, grupos que são maioria da população brasileira, mas enfrentam muitas dificuldades para conseguir emprego, ainda precisa de mais ação e menos teoria. É o que avalia a consultora em Cultura Inclusiva Jr. Camila Santos, da B4People – Cultura Inclusiva.

“Houve avanços nas discussões sobre isso, e é ótimo. No entanto, as mulheres e os negros ainda precisam assumir certos estereótipos para serem validados, recebem salários menores e quase não os vemos em cargos de tomada de decisão. Estudo do Instituto Ethos de 2016 diz que 1,6% das mulheres negras estão em cargos de gerência e 0,4% no corpo executivo; isso sabendo que as mulheres têm maior grau de instrução do que homens”, explica.

Inclusão de mulheres
Camila destaca que a pandemia de coronavírus, que abalou a economia em nível mundial, também provocou desequilíbrio da presença da mulher no trabalho. Recuperar esses postos, promovendo condições de apoio à trabalhadora, também está na lista de tarefas para empresas que se preocupam em ter um ambiente mais inclusivo e diverso.

“O Ipea apontou que a mulher tem a menor participação no mercado de trabalho dos últimos 30 anos, e isso se dá pela maior carga de trabalho doméstico e de cuidados atribuídas a nós, sobretudo às mulheres negras, que compõe 61% das mães solo brasileiras”. Ou seja, programas que acolham elas e seus filhos, mesmo que as organizações permaneçam em home office no ano que vem, são medidas efetivas para essa reparação.

Recrutamento virtual
Por outro lado, as transformações resultantes da nova realidade, como contratações virtuais, são os acertos que devem ser continuados no setor de RH em 2021. “O RH e as empresas fizeram o possível para manter a interação entre as pessoas, mesmo a distância, bem como os modelos de contratação menos engessados e mais inovadores. Isso pode permanecer e gerar impactos muito positivos, inclusive”, opina Camila.

Sensibilização e intenção de mudança
Incluir e manter a diversidade nas organizações em 2021, por fim, requererá mais sensibilidade, ajustes em processos de recrutamento e seleção e atitudes efetivas de todos os funcionários das empresas para que a pluralidade seja respeitada. Aliás, como exercício de começo de ano, vale mapear qual é a diversidade na empresa que já existe no quadro de empregados e valorizá-la internamente.

Próximos passos de diversidade nas empresas
Além disso, Camila comenta as tendências e os cuidados que RH deve ter para os próximos passos em inclusão e diversidade:

Promova educação e sensibilização de pessoas que ocupam cargos de alta liderança e execução de programas de contratação para grupos específicos, como ações afirmativas;
Organize programas de contratação com intencionalidade, ou seja, com uma busca intencional por perfis mais diversos. É o que a Bayer já anunciou que fará em 2021, com programa de trainee exclusivamente para negros;
adapte os processos de recrutamento e outros processos com o que aprendemos em 2020. “As empresas aumentaram seu leque de possibilidades para realização dos processos à distância, com a modernização nas práticas de talent acquisition, regredir para o modelo praticado antes da pandemia seria desperdício, uma vez que as novas estratégias de inclusão são benéficas para ambos os lados”, comenta Camila.

Entenda que programas e ações afirmativas têm grande resultados na vida das pessoas contratadas. “Para elas e o seu entorno, muita coisa pode mudar a partir dessa oportunidade. E para as empresas também, uma vez que essas pessoas trarão inovação a partir de um novo olhar dentro da organização”, diz a consultora.

Considere, no entanto, que as mudanças estruturais que mantêm as desigualdades também nos ambientes corporativos precisam ser feitas com intencionalidade e eficácia. Ou seja, é o momento de sair do campo teórico e avançar com medidas práticas.