Fonte: Valor Investe - Por: Naiara Bertão - Imagem: Pixabay

Pesquisa da consultoria Boston Consulting Group releva que ainda há muitos obstáculos para que elas cheguem a cargos mais altos, ainda que a baixa diversidade de gênero se dá em um contexto em que as mulheres demonstram larga habilidade nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática

Embora as mulheres representem 39% da força de trabalho global e venham desempenhando funções que exigem habilidades em ciência, tecnologia, engenharia e matemática, por décadas, elas representam apenas 25% da força de trabalho nessas áreas em todo o mundo e apenas 9% dos CEOs de empresas de tecnologia

Os dados são do relatório Unlocking Women’s Leadership Through STEM Skills Programmes, do Boston Consulting Group, em parceria com o Fórum das Mulheres para a Economia e Sociedade.

A pesquisa se baseia em dados de aproximadamente 10.000 mulheres e homens em 12 países do G20, integrantes e não integrantes das áreas de STEM (sigla em inglês para se referir às áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática).

O levantamento mostrou ainda que a grande maioria das mulheres quer adquirir novas habilidades que possam ajudá-las a progredir em suas carreiras.

“Descobrimos que as mulheres em STEM, e em particular as mulheres com 34 anos ou menos, valorizam o aprendizado de novas habilidades como um caminho para mudanças de emprego e promoções”, diz a pesquisa.

No entanto, quase metade das entrevistadas disse que enfrenta obstáculos sobre diversidade de gênero onde trabalha – o dobro do número de participantes em cargos não-STEM, o que mostra que há um preconceito claro com as mulheres nessas áreas de exatas.

Entre as principais barreiras estão a falta de tempo e agendas inflexíveis, ambos intimamente associados com a sobrecarga de trabalho – no escritório e em casa – das mulheres, que são as que mais cuidam ainda da casa e dos filhos. A falta de flexibilidade na agenda é apontada principalmente por mulheres mais jovens, também as que tendem a ter crianças menores em casa.

“Nós achamos que a falta de tempo é, de longe, o maior obstáculo para as mulheres se beneficiarem dos treinamentos para habilidades das áreas de STEM em especial em alguns países europeus (França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido), Estados Unidos, Japão, Austrália e Brasil”, destaca o relatório.

Obstáculos
Outra – triste – constatação é que não apenas o número de mulheres dessas áreas é baixo, como há dificuldades reais para aumentá-los. As mulheres que trabalham nas áreas de STEM relatam diversas limitações.

Quando perguntadas se há obstáculos para a promoção de diversidade de gênero e inclusão em sua companhia, as entrevistadas da área de STEM disseram que sim em todas as etapas de recrutamento, retenção, promoção e comprometimento da liderança.




Países como Índia e China têm ainda mais mulheres com dificuldade - mais de dois terços.