Fonte: Revista Pegn - Imagem: Pixabay 

São mais de 400 famílias atendidas em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG).

Já não é novidade o processo de envelhecimento populacional no Brasil. Se em 2010 a proporção de idosos era de 7,3%, no ano de 2100 poderá chegar a 40,3%, segundo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com isso, cresce também a procura por cuidados e assistência aos mais velhos. A Said, fundada no Rio de Janeiro por Daniela Jones, é um exemplo de empresa que atua com este público e vem sentindo o aumento da demanda.

Com modelo de cuidados em domicílio, o chamado home care, a empresa foi criada há 17 anos, dentro da casa da fundadora. "Comecei em home office: adquiri uma linha telefônica e comecei a divulgar os serviços no Google. A princípio, tínhamos apenas seis cuidadoras que iam até a casa dos clientes", lembra ela. A expertise e a vontade de abrir o próprio negócio vieram de uma experiência prévia de sua família. A avó e o pai da empreendedora haviam criado uma empresa de home care décadas antes – onde trabalhou por cinco anos.

"Eu era bem nova naquela época. Depois que saí, fui conhecer outras áreas. Trabalhei com área administrativa, financeiro e logística. Fui me aprimorando", conta. Até que sentiu que havia chegado a hora de investir no sonho de ter sua própria empresa de cuidadores de idosos. Como única sócia da Said, ela revela que a empresa foi crescendo ao longo dos anos. Atualmente, são 950 cuidadores entre os colaboradores, além do time administrativo que soma 40 pessoas, e uma equipe multidisciplinar, com nutricionistas, psicólogos, fonoaudiólogos, médicos, fisioterapeutas e enfermeiros.

São dois os principais pacotes de serviços oferecidos pela empresa: o básico, que contempla cuidados durante 12 horas por dia, sete dias por semana (a partir de R$ 5,1 mil ao mês) ou durante 24 horas por dia (a partir de R$ 7,5 mil por mês). O pacote premium tem cuidadores, sessões semanais de fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia, atendimento médico e nutricional quando necessário, além de carro para deslocamento do idoso até consultas médicas (12 horas, 5,5 mil ao mês; 24 horas, R$ 8,1 mil mensais). Tanto o plano básico como o premium oferecem instalação de câmeras na casa para que os idosos sejam monitorados pelos familiares a todo momento.

"Esses itens extras são os nossos diferenciais, pelo feedback que temos dos clientes. Nosso índice de satisfação é alto", diz a empreendedora, que hoje atuação principalmente no Rio de Janeiro (RJ), mas também está presente em Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP). Nas três cidades foram instalados escritórios com centro de treinamento da empresa. Atualmente, mais de 400 famílias são clientes da Said. "Os profissionais que contratamos precisam ter curso de cuidador de idosos com carga de 160 horas. Também participam de treinamentos na própria empresa de tempos em tempos", explica.

De acordo com Jones, o serviço é muito buscado por filhos ou familiares dos idosos que não têm como se dedicar totalmente às necessidades do ente. Muitos optam pelo serviço de home care em vez de uma clínica para idosos, por exemplo, pelo fato de que, estando em casa, a pessoa não perde tanto suas referências e senso de autonomia. "A maioria dos idosos que atendemos sofre principalmente com Alzheimer e Parkinson", explica.

Após registrar aumento de 54% no número de famílias atendidas apenas no primeiro trimestre de 2022, a empresa prevê que continuará crescendo e espera contratar mais 200 colaboradores até o final do ano.