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Com a usina que é instalada dentro da UPA é possível atender os pacientes sem depender de fornecedores de oxigênio. Uma autonomia que foi testada em 2020 no pior momento da pandemia no Ceará.

Nas últimas semanas, o Brasil acompanhou horrorizado cenas de pacientes que precisavam de oxigênio hospitalar. Em Fortaleza, unidades municipais de atendimento não dependem de fornecimento externo.

O Seu José passou mais de 40 dias internado com Covid, foi entubado e teve comprometimento em 94% dos pulmões. Na ambulância, do interior para Fortaleza, faltou oxigênio. "No momento que eu ia tentar respirar, eu não conseguia. A gente abre a boca, mas não vem ar, não tem ar. Dá um desespero", contou o funcionário público José Alves Pereira.

A falta de ar é um efeito comum dos casos mais graves de Covid. A pneumologista que trata pacientes desde o início da pandemia explica que isso acontece por causa da falta de oxigenação do sangue. "O paciente em insuficiência respiratória, enquanto consciente, ele passa por momentos de extrema angústia e ansiedade. Fornecer oxigênio a esses pacientes nessa fase da doença é de fundamental importância", explicou Nilcely Aragão.

Em uma unidade de Pronto Atendimento de Fortaleza não é problema. Ela é uma das três da capital com uma usina que capta o ar ambiente, retira as impurezas e armazena o oxigênio. Também produz o ar comprimido que é fornecido aos pacientes.

Com a usina que é instalada dentro da UPA é possível atender os pacientes sem depender de fornecedores de oxigênio. Uma autonomia que foi testada em 2020 no pior momento da pandemia no Ceará.

Durante os meses de abril e maio, os leitos das UPAs em Fortaleza quase triplicaram para atender os doentes de Covid. Sem vaga nas UTIs dos hospitais, muitos passavam dias internados e entubados lá mesmo.

"Extrapolamos a capacidade normal e não tivemos em nenhum momento desabastecimento de oxigênio nessas unidades. Foi o grande teste”, disse Ana Estela Leite, secretária de Saúde de Fortaleza.

O custo de uma usina como esta é de R$ 450 mil a R$ 600 mil. Em Fortaleza, elas foram instaladas por uma empresa e alugadas pela Prefeitura por R$ 28 mil por mês. Segundo a Secretaria da Saúde, quase metade do que se gastaria com cilindros.

A indústria produz, sem parar, oxigênio suficiente para até sete pacientes graves de uma vez. Estados como Goiás, Tocantins e Acre também possuem usinas próprias em unidades de Saúde.

O governo do Amazonas, estado que sofreu muito com a falta de oxigênio, diz que já tem uma usina em funcionamento na capital e vai instalar outra no interior nos próximos dias. Elas podem ser adaptadas para hospitais, conforme o tamanho e a quantidade de atendimentos.

"Isso pode ser reproduzido e aí você vai dimensionar o tamanho da usina de acordo com o porte de cada unidade: unidades maiores, mais complexas, vão demandar realmente uma usina de maior porte", afirma Ana Estela.