Fonte: G1 - Imagem: Divulgação

Em Sorocaba (SP), há uma lei que torna obrigatória a instalação de câmeras de segurança em pet shops e clínicas veterinárias. Medida garante a segurança dos animais durante o atendimento e ajuda a evitar acidentes.

O momento de levar os pets ao médico ou para tomar banho e tosar às vezes pode ser preocupante, tanto para a família quanto para o próprio animal. Isso porque são vários os casos de acidentes e até de mortes durante estes procedimentos.

Em Sorocaba (SP), foi publicada uma lei que torna obrigatória a instalação de câmeras de segurança nos pet shops e nas clínicas veterinárias. A medida serve como prevenção e garante a segurança dos animais durante o atendimento.

De acordo com a lei, as câmeras devem ser instaladas de forma que os clientes consigam acompanhar todos os procedimentos feitos em seus bichos de estimação.

Há alguns anos, Joaquim, um cão da raça shit-tzu, foi para o banho e tosa em Sorocaba e retornou com um ferimento. Seu tutor, Jonathan Machado, contou ao g1 que notou que o cão estava quieto quando voltou para casa do pet shop.

Ao perceber o ferimento, a família entrou em contato com o estabelecimento, que informou que não havia acontecido nada de errado durante o atendimento.

"Quem atendeu o telefone foi a dona e, de pronto, ela já afirmou que nada havia acontecido. Levamos o Joaquim até o veterinário e começamos a tratar o machucado. Agora ele está bem, mas acabou perdendo o testículo esquerdo por causa disso. Tomamos um susto, nos preocupamos, gastamos mais dinheiro", conta.
Para Jonathan, a obrigatoriedade das câmeras contribui para que casos como o de Joaquim não aconteçam com frequência. "Acredito que vá ajudar bastante. Se tivesse uma câmera quando eu passei por isso, poderíamos ter buscado as imagens e teríamos visto o que realmente aconteceu", diz.

Capacitação e prevenção
Mesmo com a implantação da lei, é necessário capacitar os profissionais para evitar que casos como esse aconteçam. Para Nathália Espinosa, diretora da Escola de Estética Animal, em Sorocaba, acidentes podem ser evitados se o profissional estiver bem preparado e capacitado para o serviço.

"Para evitarmos esses problemas, precisamos saber como trabalhar o manejo correto dos animais. Preciso saber como manusear o corpinho do animal para não causar uma fratura ou outro tipo de problema. Ele pode deslocar o joelho, às vezes fazer um corte na hora da tosa", explica.

Além das práticas de manuseio, um conhecimento sobre psicologia canina pode ajudar a prevenir acidentes.

"O profissional precisa saber como o cão pensa e, assim, determinar qual a melhor maneira de lidar com esse comportamento. Às vezes o cão fica muito estressado ou até agressivo. Vale ressaltar que o funcionário também não é obrigado a fazer o procedimento uma vez que também é um risco para ele mesmo", diz.

Prós e contras
Nathália acredita que a implantação de um sistema de monitoramento possa ajudar a separar o acidente de uma possível negligência do estabelecimento, mas que ainda há alguns pontos negativos na decisão.

"Estou há 12 anos no mercado pet e vejo duas situações: a negligência do profissional ou acidentes mesmo. Tenho certeza que nenhum profissional quer machucar o animal. Já aconteceu comigo e a gente se sente muito mal, mas a câmera pode ajudar a identificar esses dois casos", afirma.

Também há uma outra situação na qual as câmeras protegem os próprios profissionais do segmento pet e tosadores. "Às vezes os donos acusam esses profissionais e, em alguns casos, não aconteceu nada", diz Nathalia.

Apesar dos pontos positivos, o custo do equipamento pode ser uma dificuldade para os donos de pet shops.

"Sabemos que grande parte é Micro Empreendedor Individual (MEI). Fazendo as contas, o investimento em quatro câmeras sai em torno de R$ 2,5 mil. Eles pedem que as informações sejam armazenadas por 90 dias, o que aumenta ainda mais o custo, porque tem que ter o espaço de armazenamento", completa.