Fonte: Folha Vitória - Imagem: Pexels

Reconhecer os sinais é fundamental para protegê-las de novas agressões.

No Brasil, ainda há uma forte carência de dados sobre a violência sexual sofrida por meninos e meninas na infância. Ainda assim, segundo o Governo Federal, apenas em 2016 foram 17,5 mil casos. A maior parte das denúncias é referente aos crimes de abuso sexual (72%) e exploração sexual (20%).

De acordo com o relatório do Disque 100, serviço de atendimento telefônico gratuito para denúncias de violações de Direitos Humanos, em 2017, foram registrados 9.138 casos em todo o país. Dessa forma, identificar esse tipo de crime e denunciar é fundamental para enfrentar essa dura realidade.

Para isso, é preciso entender e reconhecer os sinais que indicam quando uma criança está sendo maltratada. A psicóloga Daniela Generoso, comenta que não é fácil captar a dor humana, porque ela pode fugir das percepções, principalmente quando uma criança é abusada. Mas comenta que a sociedade de um modo geral precisa estar atenta, já que as crianças são extremamente vulneráveis a qualquer tentativa de maldade.

Daniela comenta que é importante ressaltar que elas sofrem como um adulto no conceito de dor e, o que muda, é a forma que percebemos isso. "Há alguns indicadores psicológicos muito comuns, quando uma criança é violentada, inclusive as menores de três anos de idade", destacou.

Sinais
A psicóloga explica que as principais características são os transtornos alimentares, irritabilidade, alterações no nível de atividade junto com condutas agressivas ou regressivas, uma compreensão precoce da sexualidade e atividades sexuais inadequadas, a mentira como artifício frequente. "A crueldade contra os outros e os animais e sentimentos profundos de tristeza e desesperança, também são sinais".

Pode piorar...
Algumas ainda desenvolvem transtorno de atenção, síndrome da acomodação e da vitimização, jogos sexuais persistentes e inadequados com crianças da mesma idade, como também a insistente desconfiança das figuras significativas, mau relacionamento com seus pais e dificuldades em fazer amizades.

A especialista alerta que é importante reparar mais de um sinais, porque esses sintomas isolados podem caracterizar muitas outras questões. "Para análise correta temos que correlacionar a observação clínica, os dados coletados em anamnese pelos pais, testes psicológicos e a escuta ativa. Na abordagem existencial humanista, não olhamos para criança como diagnóstico e, sim, como um ser que precisa ser visto e a sua alma tocada", explicou Daniela.

Reflexos
A criança que é abusada seja por tortura psicológica, física ou sexual, tem sua infância roubada e sua alma dilacerada aos poucos. Geralmente, elas conseguem se refazer de forma mais rápida que um adulto. Porém, quando crescem, acabam remoendo sua dor e seu algoz por diversas vezes pela lembrança de sua mágoa.

"É fundamental protegê-las de pessoas ruins. Pais, precisam saber quem se aproxima de seus filhos, por onde andam. Esse cuidado é importantíssimo, pois a dor do abuso perdura por anos e anos e alguns, quando chegam na adolescência ou na fase adulta, chegam até a desenvolver pensamentos suicidas", destacou a psicóloga.

Na dúvida...
Em caso de dúvida, se uma criança foi abusada ou não, procure um profissional de psicologia infantil ou converse com pediatra, porque através de testes psicológicos e a observação clínica é possível identificar.