Fonte: G1 - Imagem: Pixabay

Papel das famílias é cuidar das crianças até que possam voltar para casa, ou, quando isso não for possível, que sejam incluídas em programa de adoção. Ao todo, 28 crianças de 0 a 6 anos estão acolhidas em Brasília.

Estão abertas as inscrições para famílias interessadas em acolher crianças de até seis anos, afastadas temporariamente da família biológica por decisão judicial. O projeto "Família Acolhedora" está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para que meninos e meninas sejam encaminhados, de preferência, para uma casa, em vez de abrigos e outras instituições.

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A iniciativa existe no DF desde outubro de 2019, e foi regulamentada em janeiro deste ano. Ao todo, 36 famílias estão aptas a participar do processo na capital federal e 28 crianças ainda estão acolhidas, convivendo em um núcleo familiar, até a reintegração à família de origem, segundo o Grupo Aconchego de Apoio à Convivência Familiar e Comunitária, responsável pelo projeto.

O acolhimento pode durar de 6 meses a 18 meses e, nesse período, a família biológica recebe acompanhamento de equipes técnicas. Só depois do aval das equipes multidisciplinares, formadas por psicólogos e assistentes sociais, é que a criança vai retornar ao lar de origem ou vai ser encaminhada para uma família adotiva.

Curso de capacitação
As famílias acolhedoras precisam participar de um curso de capacitação, com seis encontros on-line, de duas horas cada. As inscrições vão até segunda-feira (12) e o curso começa na terça (13).

Os selecionados recebem ajuda de custo no valor de R$ 465,55. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) é o responsável pela fiscalização do programa (veja mais abaixo como participar).

"Quando a criança tem a oportunidade de ser encaminhada para o acolhimento familiar, possíveis sequelas afetivas e comportamentais do processo de separação do ambiente familiar tendem a ser minimizadas", diz Rosana Viegas e Carvalho, promotora de Justiça de Defesa da Infância e Juventude.
Desejo de ajudar

A empresária Isabela Leal é casada e tem dois filhos, de 9 e de 5 anos. Ela descobriu o projeto Famílias Acolhedoras por meio de uma amiga, que havia acolhido uma criança, e resolveu se inscrever e fazer o curso de capacitação.

"Despertou na gente a curiosidade de saber que projeto era esse, e o desejo também de ajudar essas crianças que estavam passando por alguma situação de vulnerabilidade", conta.

No ano passado, Isabela acolheu uma recém-nascida por cinco meses. "Durante esse período a gente deu pra ela todo amor, todo carinho, todo afeto que talvez ela não tivesse se fosse direcionada para uma instituição de acolhimento", diz Isabela.

"Foi um período maravilhoso, quando a gente pode ser o porto seguro daquela criança."

Olhar individualizado
Apesar de ser um lar provisório, segundo especialistas, o acolhimento pode transformar a vida de uma criança. "Ela passará ter referência de vínculo afetivo e segurança, o que vai favorecer nos processos de socialização e aprendizagem, além de memórias", diz a psicóloga Julia Salvagni.

Julia é coordenadora técnica do Acolhimento Familiar do Grupo Aconchego. "As crianças que são acolhidas em famílias acolhedoras têm a oportunidade de ter para si, nesse momento super delicado da sua vida, um olhar individualizado, um espaço afetivo no qual ela vai poder elaborar, refletir e ter gente junto com ela para que possa criar recursos para lidar com aquela situação de violação de direitos", aponta.

Como participar

Inscrever-se no serviço, enviando nome completo e número de telefone para o e-mail familiaacolhedora.aconchego@gmail;
- Participar de uma entrevista com assistente social e psicólogo, que explicam o serviço com mais detalhes e verificam os requisitos;
- Participar de curso de capacitação, com seis encontros on-line de duas horas, às terças-feiras, das 19h30 às 21h30;
- Receber uma visita domiciliar e tornar-se habilitado para o serviço;
- Ser maior de 18 anos;
- Não ter como projeto a adoção;
- Ter disponibilidade afetiva e emocional;
- Não ter antecedentes criminais;
- Ter habilidade para ser cuidador;
- Todas as configurações familiares são aceitas.