Fonte: CNNBrasil - Imagem: Pavel Danilyuk no Pexels

No Rio de Janeiro, Justiça leva meninos e meninas de abrigos para conhecer o Cristo Redentor, em campanha para incentivar ampliação do perfil buscado pelos futuros pais .

De um lado, 3.751 crianças e adolescentes disponíveis para adoção no Brasil. Do outro, 33.046 pretendentes, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça. E por que a fila de quem espera por uma família não acaba? Para o juiz da 4ª Vara da Infância e Juventude da cidade do Rio de Janeiro, Sérgio Ribeiro de Souza, a resposta é o perfil.

“Os pretendentes trazem aquela criança idealizada, é normal, natural. Mas cada vez mais o movimento é mostrar a criança real. A partir de oito anos de idade, já começa a ficar mais difícil da criança ser adotada. Quanto mais a idade avança, mais fica difícil. Também grupos de irmãos, crianças com problemas de saúde. São o que a gente chama de adoções necessárias”, colocou à CNN.

Em relação à idade, os dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que 279 crianças disponíveis para adoção têm até dois anos. Mais de 2,6 mil têm oito anos ou mais, sendo que a principal faixa é dos adolescentes com mais de 16 anos – 742.

Vitória da Conceição Oliveira é uma delas. A jovem, que sonha ser veterinária, tem 16 anos e há nove está em um abrigo. Ela conta que teve dificuldade de adaptação em quatro famílias. Agora, aguarda mais uma oportunidade. “Eu não queria facilitar as coisas, só queria sair à noite, não avisava para onde ia… Se tiver uma nova chance, vou fazer tudo diferente. Quero uma família, pessoas que se importem comigo”, revelou a adolescente.

No caso da etnia, 54,1% dos que aguardam por uma família são pardos, 27,3% são brancos, 16,8% são pretos e 0,8% não tiveram a etnia informada.

Os números do CNJ ainda apontam que 17,6% do total enfrentam problemas de saúde e 17,4% possuem algum tipo de deficiência. Além disso, mais da metade das crianças e adolescentes tem irmãos.

Thayane Fonseca é a mais velha de quatro irmãos, que estão sob cuidados de uma família acolhedora. Prestes a fazer 18 anos, ela não pensa mais em conseguir uma adoção. “Tentamos duas vezes e deu errado. A gente já está há anos com essa família, criamos laços. Agora, quando fizer aniversário, eu vou tentar a guarda dos meus irmãos e vamos continuar em contato com o casal que nos acolheu”, contou.

Em relação aos estados, em números absolutos, São Paulo lidera (768 crianças disponíveis), seguido por Minas Gerais (525), Rio Grande do Sul (470), Paraná (389) e Rio de Janeiro (222). 

Em busca de uma família para crianças e adolescentes disponíveis em abrigos, o Rio de Janeiro promove uma iniciativa inédita nesta sexta-feira (25). Um grupo de 36 meninos e meninas, aptos para adoção, vai conhecer o Cristo Redentor, na campanha “Braços Abertos para Adoção”, uma parceria do Tribunal de Justiça do estado (TJRJ), do Santuário Cristo Redentor e do Trem do Corcovado.

São crianças e adolescentes que nunca estiveram no ponto turístico e algumas sequer viram de longe o cartão-postal da cidade. As amigas Sophia Rodrigues de Freitas e Marcele Minas de Almeida, de 12 anos, estavam encantadas com a beleza da vista. “É mais bonito do que eu imaginava”, revelou Sophia.

“A gente quer trazer muito a questão da ampliação do perfil dos pretensos adotantes”, colocou o magistrado da 4ª Vara da Infância e Juventude do Rio, Sérgio Ribeiro de Souza.

No Rio de Janeiro, entre os 222 disponíveis para adoção, quase 150 têm mais de oito anos, 85,5% são pretos ou pardos e mais da metade tem irmãos. “O que essas crianças querem é o amor da família e o direito constitucional da convivência familiar e comunitária”, destacou o magistrado.

Assim, se alguém quiser adotar uma criança, o primeiro passo é procurar a Vara da Infância e Juventude da cidade em que vive. O processo inclui uma análise para habilitação, avaliação social e psicológica, além de palestras. Quanto mais ampliado o perfil da criança pretendida, maior é a chance de adoção.