Fonte: Rcmais - Imagem: Pixabay

Um trecho da praia Pontal do Sul, em Pontal do Paraná, no litoral do estado, foi isolado depois que uma tartaruga-gigante (Dermochelys coriacea) postou ovos no local na quinta-feira (31).

Um trecho da praia Pontal do Sul, em Pontal do Paraná, no litoral do estado, foi isolado depois que uma tartaruga-gigante (Dermochelys coriacea) postou ovos no local na quinta-feira (31).

A etapa da reprodução da espécie em risco grave de extinção é acompanhada por profissionais e pesquisadores do Projeto de Monitoramento de Praias (PMP-BS) e do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná UFPR).

Segundo a bióloga e pesquisadora Camila Domit, que coordena o LEC/UFPR, o animal postou cerca de cem ovos e deverá voltar nos próximos dias.

“A tartaruga possivelmente voltará daqui uns dez dias para nova desova, podendo subir a praia para deposição de ovos até dez vezes na mesma temporada. A tartaruga-gigante é uma espécie criticamente ameaçada de extinção e precisa de todos os cuidados e monitoramento especializado de dia e de noite durante todo seu período reprodutivo”, explicou Domit.

A orientação é para que turistas e moradores locais não se aproximem e evitem frequentar o trecho da praia, já que intervir no processo natural pode diminuir a chance de sobrevivência dos filhotes. Caso a tartaruga volte também é imprescindível que ela não seja tocada e possa fazer a nova desova sem nenhuma forma de estresse.

Tartaruga protegida por norma federal
A tartaruga-gigante, também conhecida como tartaruga-de-couro, é protegida integralmente por norma federal, devido a sua situação de extinção. Ela é a maior espécie de tartaruga marinha existente, podendo chegar a dois metros de comprimento e 700 quilos.

Conforme o LEC, na maioria das vezes, os animais dessa espécie começam a se reproduzir após os 20 anos e a única área regular de desova conhecida no Brasil situa-se no litoral norte do Espírito Santo. No entanto, já foram registradas desovas de fêmeas, mesmo que menos constantes, também no Piauí e no Paraná.

No Paraná, as ocorrências reprodutivas anteriores ocorreram entre os anos de 2007, 2009 e 2014, e se referia a um mesmo animal identificado, que acabou indo a óbito. Provavelmente devido à captura incidental em atividades pesqueiras já que a tartaruga tinha marcas e a presença de anzóis de pesca comercial.

“Na costa brasileira não temos registro apenas de animais nascidos no Brasil, há ocorrência de grande número de animais que vêm do Gabão e de outras regiões da África, que se alimentam nas águas do Sudeste e sul. Um desova como esse evento no Paraná pode estar relacionado a diferentes motivos, inclusive ser consequência dos efeitos de mudanças climáticas, da demanda da espécie por novas áreas para reprodução ou até uma influência do processo comportamental de migração desses animais”, completou Domit.

O momento em que a tartaruga voltou para o mar foi registrado em vídeo.

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