Fonte: ECOA - Imagem: Divulgação - Pedro Martins - Colaboração para Ecoa, de Ribeirão Preto (SP)

No ambulatório do bosque de Ribeirão Preto (SP), uma jiboia-cinzenta que perdeu parte da mandíbula e do maxilar ao ser atropelada por um trem é a primeira paciente a ser atendida na sessão semanal de laser e ozonioterapia.

Em gaiolas e caixas plásticas, outros 31 animais aguardam atendimento. Nas mãos dos veterinários do Bosque e Zoológico Fábio Barreto, eles tentam superar os ferimentos que lhes foram causados por seres humanos para, então, retornar à natureza.

Os atendimentos fazem parte do projeto Uma Nova Chance, criado em 2016 pelo veterinário César Branco a partir de uma compensação ambiental paga ao bosque por uma construtora que derrubou árvores para erguer um condomínio na cidade.

A iniciativa transformou o zoológico, que, aos 80 anos, é um dos mais antigos em funcionamento do país. "O zoo foi criado simplesmente para entreter o ser humano, mas hoje serve para educá-lo. Tem que aprender por que estes animais estão aqui e qual é a importância deles para nós", diz César.

Em quatro anos, o projeto atendeu cerca de quatro mil animais silvestres, que foram resgatados e levados ao bosque por bombeiros, concessionárias de rodovias, moradores e policiais ambientais. O primeiro paciente foi uma onça-parda baleada e esfaqueada.

A maioria dos animais chegam atropelados. É o caso do gavião-carijó transferido de Ubatuba (SP) após perder a asa direita e do cágado-de-barbicha que vivia no córrego de uma avenida e acabou com a carapaça quebrada após uma enchente.

Outros são vítimas de violência urbana, como a garça-vaqueira resgatada enroscada numa linha de pipa que cortou suas asas e o bugio-negro atingido por um choque elétrico que lhe custou uma mão e um pé.

O projeto atende animais resgatados em um raio de 200 quilômetros de distância do bosque, mas também trabalha em parceria com iniciativas semelhantes, recebendo e transferindo pacientes para outras cidades.

Volta à natureza Em média, 70% dos animais resgatados voltam à natureza. Eles reaprendem a voar, correr, caçar, e são levados para viver em fazendas e reservas privadas, onde são monitorados, para que não se envolvam em mais acidentes, e cadastrados em um controle de fauna, para que não provoquem desequilíbrios ambientais. É o caso de um casal de porcos-do-mato que chegaram ao bosque com um dia de vida, órfãos e feridos. Eles receberam uma nova chance e, na fazenda em que foram soltos, reproduziram-se e formaram um bando de 14 animais. O tempo de recuperação depende da espécie. Em geral, as aves melhoram do dia para a noite, mas répteis como cágados, jabutis e tartarugas, por exe... - Veja mais em https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2021/01/21/animais-atropelados-e-orfaos-voltam-a-natureza-apos-cuidado-em-bosque-de-sp.htm?cmpid=copiaecola