Fonte: G1 - Por: Alex Araújo - Imagem: Inga Seliverstova

Médico veterinário salienta que é mito que eles não sentem frio por terem pelos. Campanha em BH recolhe roupas, agasalhos, cobertores, toalhas e ração para bichos de rua.

Como os meteorologistas haviam avisado, a temperatura caiu bastante em várias regiões do Brasil, inclusive em Minas Gerais. O frio pode ser prejudicial também aos animais de estimação e, por isso, eles precisam de cuidados especiais.

Conversamos com o médico veterinário José Lasmar para trazer dicas do que fazer para proteger os pets do frio e prevenir que eles fiquem doentes.

Para começo de conversa, ele diz que existem mitos que precisam ser derrubados, como o de que os animais não sentem frio porque têm pelos.

"Eles podem até vir a óbito, como os humanos. É verdade que alguns cães são mais resistentes, mas eles também sentem frio", diz.

Dentro deste rol dos mais "fortes", o especialista destaca as raças husky siberiano e bernese.

Ele ressalta que os cães sem raça definida (SRD) magros e com pelagem curta são os mais frágeis e podem morrer por causa das baixas temperaturas. Lasmar explica que quando o animal está todo enrolado é sinal de que ele está com muito frio.

Os gatos de pelagem curta também podem ser vítimas do frio. E os de pelos compridos, como os persas, podem usar roupas de frio, mas as peças podem causar "bolos" que, posteriormente, precisam ser tosados.

Veja como proteger os pets:
- Coloque neles roupas confortáveis e quentinhas;
- Eles devem ser abrigados fora do alcance das correntes de ar e de ventos fortes;
- A cama precisa ser fofa e, se possível, feita com tecidos de algodão, porque esquentam e são mais confortáveis;
- A alimentação não sofre alteração no tempo de frio. Eles podem comer normalmente;
- A atividade física, como a caminhada, deve ser mantida;
- Ao contrário da alimentação e dos exercícios, os banhos devem ser evitados.

Doenças
Lasmar destaca que, assim como acontece com os seres humanos, os animais também podem ter a saúde afetada.

Cães
No período de frio, principalmente no outono e inverno, os cachorros podem ter traqueobronquite infecciosa, doença conhecida também como gripe dos cães, gripe dos canis, tosse dos canis ou, ainda, coqueluche canina, que pode ser causada por vírus ou bactérias.

Para evitá-la, Lasmar orienta que eles sejam vacinados, em dose única, com validade de um ano. O imunizante custa em torno de R$ 110.

A prevenção é válida para todos os dogs, mas o veterinário salienta que os animais com narizes curtos – como pugs e buldogues francês e inglês – são mais propensos à doença.

Independentemente da raça, o especialista orienta que bichos que frequentam hotéis pet, pet shops, pracinhas e canis precisam ser imunizados por causa do convívio com os amiguinhos peludos.

Em caso de contaminação, o tratamento é feito sob prescrição médica veterinária, com antialérgicos e anti-inflamatórios.

Lasmar diz que o sintoma da doença é uma tosse muito severa, com ânsia de vômito, e que pode levar o tutor a se enganar e achar que o animal se engasgou.

Gatos
No frio, os gatos podem adoecer com pneumonia felina bacteriana. Não há tosse e, por isso, o tutor precisa redobrar a atenção.

O tratamento é feito com antibiótico. Não há vacina como prevenção.

Bichos de rua
Assim como acontece com os humanos, são os animais em situação de rua os que mais sofrem com o tempo gelado.

Em Belo Horizonte, os alunos do curso de medicina veterinária do Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) estão fazendo a campanha Agasalha Pet. A ação recebe roupas, agasalhos, cobertores, toalhas, ração e outros itens para os animais de rua.

As doações podem ser entregues no Hospital Veterinário do UniBH, no bairro Buritis, em horário comercial.

Ponto de coleta: Hospital Veterinário do UniBH (Rua Líbero Leone, 259 – Buritis), horário comercial
Em Betim, a prefeitura lançou a campanha Aqueça um Focinho. O objetivo da ação é arrecadar itens como cobertores, toalhas, tapetes, tecidos, roupinhas, caminhas novas ou usadas para proteger os animais do frio.

As doações podem ser entregues das 8h às 17h, na Superintendência de Defesa Animal (Sepa), que funciona no Parque de Exposições David Gonçalves Lara (Rua do Rosário, 1840, Angola), de 8h às 17h.