OMS afirmou que: “Nenhuma das vacinas aprovadas contra a Covid-19 é experimental.”

Por: Rita Ramos Cordeiro - Imagem: Pixabay - Atualizado 12.09.2021

Há um ano e sete meses do início da pandemia da Covid-19, e com o início da vacinação em janeiro de 2021, parte dos brasileiros ainda se dividem com a eficácia e segurança das vacinas. Aproximadamente 70 milhões de pessoas receberam uma segunda dose ou uma dose única da vacina Janssen, o que equivale a 33,1% de toda a população do país.

Apesar da grande maioria dos brasileiros aprovarem a vacina, muitos ainda duvidam de sua eficácia e segurança. O crescimento desta parte da população é devido às notícias falsas que são espalhadas divulgando que as vacinas são experimentais.

Eficácia e Segurança

A OMS - Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde vem alertando que as vacinas contra Covid-19 não protegem contra o vírus, mas permitem que não se desenvolva uma infecção grave, colocando em risco a vida das pessoas, minimizando assim os sintomas, causando menos sofrimentos.

As pessoas precisam continuar usando máscaras e manter ou distanciamento social, mesmo vacinados, para não correrem o risco de se infectar, adoecer e transmitir o vírus.

Numa coletiva de imprensa realizada em 14 de junho a OMS afirmou que: “Nenhuma das vacinas aprovadas contra a Covid-19 é experimental.”

Todas as vacinas liberadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) já passaram pela avaliação de segurança e eficácia das fases 1, 2 e 3.

Uso experimental e emergencial

Para aprovação das vacinas como uso emergencial, o primeiro critério é ter os testes de fase 3 realizados no Brasil.

O Relatório de Bases Técnicas para decisão do uso emergencial da Anvisa explica que:

A autorização de uso emergencial pode facilitar a disponibilização e o uso das vacinas contra a Covid-19, ainda que não tenha sido avaliado sob o crivo do Registro, desde que cumpra os requisitos de segurança, qualidade e eficácia. Esse mecanismo é restrito a um público definido e não substitui o registro sanitário, por isso, a Anvisa concedeu a permissão de uso emergencial, em caráter experimental.

As vacinas em uso no Brasil foram analisadas através de parecer técnicos, emitidos por especialistas de áreas diferentes da Anvisa, e envolveu rigorosa avaliação de dados de ensaios pré-clínicos, clínicos, clínicos de fase I, II e III, bem como dados adicionais sobre segurança, eficácia, qualidade e um plano de gerenciamento de risco.

Etapa de desenvolvimento de uma vacina

Em meio a tantas dúvidas sobre a eficácia e segurança das vacinas contra Covid-19, é importante conhecer as etapas de estudo e desenvolvimento destes imunizantes.

As pesquisas são divididas em três etapas, conforme informações da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

A primeira etapa é restrita aos laboratórios, composta pelas pesquisas iniciais e os testes são feitos in vitro ou em células.

Uma segunda fase é pré-clínica, quando se inicia os testes nos seres vivos, são usados ​​camundongos ou macacos, mas nesta fase não há garantia de que a vacina não causa os danos quando realizados em humanos.

A terceira etapa é a clínica, mais complexa e extensa quando começa a ser testado em seres humanos.

O processo clínico se divide em três fases:

Fase 1 - Tem como principal objetivo analisar a segurança. São testados poucos voluntários, de 20 a 80 pessoas, adultos com saúde.

Fase 2 - Esta fase vai em busca de eficácia da vacina. Aqui, a quantidade de voluntários testados aumenta e pode chegar à mais de cem pessoas.

Fase 3 - Análise e segurança da vacina no público-alvo. Milhares de pessoas são envolvidas na testagem  e as análises são levantadas a partir da observação da vacina no mundo real, ou seja, é esperado que os voluntários se exponham ao vírus para entender sua eficácia. O uso do placebo nesta fase é essencial para comparação dos resultados dos dois grupos.

Duração de pesquisa e produção

Em relação aos processos de pesquisa para a vacina da Covid-19, não houve demora. A comunidade científica esteve a todo vapor para achar resultados efetivos no desenvolvimento dessa imunização. A verdade é que estas pesquisas costumam levar anos, sem nem considerar o tempo de produção. No caso do Sars-Covi-2, os processos foram encurtados, graças às pesquisas prévias em estágio avançado de doenças como a Sars e Mers - causadas por outras versões do Coronavírus.

Além disso, segundo o epidemiologista e supervisor do Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade da UFSM, Ricardo Heinzelmann, um fato importante tem sido a prioridade dos investimentos governamentais e privados no âmbito da saúde: “O ritmo de alocação de recursos públicos e privados de países diversos para desenvolvimento da vacina para Covid-19 impressiona. Também o ritmo de acordos de cooperação internacional entre órgãos administrativos e não governantes, com assinaturas praticamente imediatas de acordos ao passo de cada nova fase das vacinas.