Fonte: Governo Federal do Brasil - Imagem: Caique Silva no Pexels

Processos e doações foram mantidos durante a pandemia, em 2020 e 2021, quando foram feitos cerca de 25 mil procedimentos.


Para quem está na lista de espera por um órgão, a realidade é uma mistura de ansiedade e incerteza, aguardando o dia em que a vida vai recomeçar após o transplante. O Brasil é referência mundial em doação e transplantes de órgãos, garantido de forma integral e gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por financiar e fazer mais de 88% de todos os transplantes de órgãos do país.

De janeiro a novembro de 2021 foram realizados mais de 12 mil transplantes de órgãos pelo SUS. Em 2020, foram cerca de 13 mil procedimentos do tipo. Em números absolutos, o Brasil é o 2º maior transplantador do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A rede pública fornece aos pacientes toda a assistência necessária, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante.

Em todo o mundo, o número de transplantes sofreu queda devido à pandemia da Covid-19, em 2020 e 2021. Enquanto alguns países paralisaram totalmente os programas de transplantes, o Brasil manteve cerca de 60% dos procedimentos. Não houve interrupção dos processos e as atividades de doação de órgãos foram mantidas, observando as normas de segurança para as equipes envolvidas, para os candidatos a transplantes e para os pacientes transplantados.

A estratégia de retomada gradual de doação e transplantes de tecidos começou em setembro de 2020, com elaboração de notas técnicas para os profissionais de saúde, familiares e pacientes. Por isso, embora exista aumento na lista de espera para o transplante de órgãos e córnea, que passou de 32.909 em 2020 para 34.830 ano passado, após a definição dos critérios técnicos para o enfrentamento da pandemia, os números estão voltando aos patamares dos períodos anteriores.

Conversa com a família
Uma conversa com a família pode salvar a vida de alguém que espera apenas por uma ligação para fazer um transplante. Apesar da ampliação da discussão sobre o tema nos últimos anos, graças ao incentivo do Ministério da Saúde, esse ainda é um assunto polêmico e de difícil entendimento para muitas pessoas, o que resulta em um alto índice de recusa familiar, atualmente em torno de 38,4%, o que pode atrapalhar e reduzir os transplantes e doações de órgãos no país.

Entre os motivos que levam à resistência da família estão, principalmente, a desinformação sobre a necessidade da doação de ossos, tendões, peles, tecidos e órgãos para garantir a qualidade de vida de outras pessoas, além da incompreensão sobre o que é morte encefálica.

No Brasil, são os parentes dos pacientes que devem autorizar ou não a doação de órgãos ou tecidos e por isso é muito importante que a pessoa comunique aos familiares, ainda em vida, o desejo de ser um doador de órgãos.

Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em lista única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada estado e controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), coordenado pelo Ministério da Saúde.

A doação pode ser de órgãos (rim, fígado, coração, pâncreas e pulmão) ou de tecidos (córnea, pele, ossos, válvulas cardíacas, cartilagem, medula óssea e sangue de cordão umbilical). Órgãos como rim, parte do fígado ou da medula óssea podem doados em vida, os demais só ocorrem quando há morte encefálica confirmada ou parada cardiorrespiratória.

Morte encefálica
No Brasil, há um rigoroso protocolo de segurança para diagnóstico e confirmação de morte encefálica, que é um quadro irreversível, o que possibilita à equipe médica uma conversa imediata sobre a doação de órgãos. Nesse momento é importante que os familiares entendam que não há nenhuma chance de o paciente acordar, que o corpo do paciente não é mutilado e que será completamente reconstituído para o velório.

Se a família autorizar a doação, é feito um processo que necessita da agilidade dos profissionais. Quando os órgãos são retirados, o relógio começa a contar. Fora do corpo, eles têm um "prazo de validade", conhecido como tempo de isquemia, e cada segundo é importante para que o órgão ou tecido chegue ao receptor e que seja implantado com sucesso.

As principais doenças que levam ao transplante são infarto extenso do miocárdio, hipertensão arterial grave, doença de chagas, enfisema pulmonar, fibrose pulmonar, cirrose hepática e alcóolica, tumores malignos e diabetes.

Doador vivo
É a pessoa maior de idade e capaz, juridicamente, que pode doar órgãos a seus familiares. No caso de doador vivo não aparentado é exigida autorização judicial prévia. Um doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula ou parte dos pulmões. Para doar órgão em vida, o médico deverá avaliar a história clínica do candidato e as doenças prévias. A compatibilidade sanguínea é primordial em todos os casos, mas há também testes especiais para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso.

Doadores não vivos
São pacientes assistidos em UTI com quadro de morte encefálica, ou seja, morte das células do sistema nervoso central, que determina a interrupção da irrigação sanguínea ao cérebro, irreversível e definitiva. Um doador não vivo pode doar:

Órgãos: rins, coração, pulmão, pâncreas, fígado e intestino;

Tecidos: córneas, válvulas, ossos, músculos, tendões, pele, cartilagem, medula óssea, sangue do cordão umbilical, veias e artérias.

Estrutura do Sistema Nacional de Transplantes
No Brasil, existem, atualmente, uma central nacional e 27 centrais estaduais de transplantes; 648 hospitais, 1.253 serviços e 1.664 equipes de transplantes habilitados; 78 organizações de procura por órgãos; 516 comissões intra-hospitalares de doação de órgãos e tecidos para transplantes; 52 bancos de tecido ocular; 13 câmaras técnicas nacionais; 12 bancos de multitecidos; 13 bancos de cordão de sangue umbilical e placentário; além de 48 laboratórios de histocompatibilidade.