Fonte: Tribuna do Norte - Por: Tádzio França - Imagem: Pavel Danilyuk

Popularmente conhecida como pressão alta, a hipertensão arterial é uma doença bastante comum no Brasil.

Conforme a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), é um mal que atinge 30% de pessoas no País.

A progressão silenciosa e assintomática dessa doença crônica é um dos fatores que torna essencial conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico preventivo e do tratamento bem conduzido. 

Pessoas hipertensas que não fazem o tratamento adequado podem desencadear aneurismas, infartos de miocárdio, AVC,  ataques cardíacos, entre outros problemas. 

No 17 de maio passado foi celebrado o Dia Mundial da Hipertensão, um lembrete global de prevenção. A hipertensão é caracterizada pela elevação sustentada dos níveis de pressão arterial.

A doença está relacionada com a força que o sangue faz contra as paredes das artérias para conseguir circular por todo o corpo. O estreitamento das artérias aumenta a necessidade de o coração bombear com mais força para impulsionar o sangue e recebê-lo de volta. 

O cardiologista Antônio Amorim Filho, atual presidente da SBC/RN, ressalta que a evolução assintomática da hipertensão arterial é um dos seus maiores problemas. “Quando a doença vem se manifestar por 'sinais', geralmente significa que está em um estágio mais avançado, comprometendo órgãos importantes como coração, cérebro ou rim.

Por isso, a importância de tirar as medidas da pressão arterial algumas vezes por ano, que é a maneira de fazer o diagnóstico”, diz o presidente da SBC/RN. 
 
O cardiologista explica que o diagnóstico de hipertensão arterial é dado quando, após aferição, o paciente apresenta pressão arterial sistólica maior ou igual que 140mmHg e/ou pressão arterial diastólica maior ou igual a 90mmHg, em pelo menos duas ocasiões diferentes. “Só para as pessoas entenderem, em uma medida de pressão arterial com valor de 140x90, 140 seria a pressão arterial sistólica e 90 a pressão arterial diastólica”, completa. 
 
Fatores de risco 
Diversas condições podem favorecer o aparecimento da doença. Há fatores de risco não modificáveis (que não se pode combater) e fatores de risco modificáveis. “Os fatores não modificáveis que podemos citar são a genética e idade. Idosos têm uma prevalência maior de hipertensão arterial. Nos fatores de risco modificáveis podemos citar a obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de sal, tabagismo, e álcool”, explica. 
 
Pesquisas apontam que pessoas negras e filhos de pais hipertensos têm uma pré-disposição maior à pressão alta, com 25% de chance de desenvolver a doença ao longo da vida. Entre os indícios de que a doença pode estar avançando em gravidade, estão dores de cabeça constantes, desconfortos torácicos, fraquezas e tonturas, zumbidos no ouvido, visão embaçada, e sangramentos nasais. 
 
A melhor forma de combater a hipertensão arterial é prevenindo a doença, com práticas simples que podem ser adotadas no dia a dia. “Evitar sedentarismo, estimular a perda de peso, alimentação saudável e baixo consumo de sal. Recomendável fazer todo esse seguimento com uma equipe multiprofissional se possível, ou seja, tendo acompanhamento com nutricionista e um profissional de atividade física. É assim que se reduz as chances de complicações no futuro”, diz. 
 
Os hipertensos que se cuidam levam uma vida praticamente normal, ressalta o médico. “Em primeiro lugar, o hipertenso deve realizar acompanhamento cardiológico regular e não deixar de tomar seus anti-hipertensivos. A hipertensão é uma doença crônica que na maior parte das vezes não tem 'cura' e sim controle, por isso importante não esquecer dos remédios prescritos”, alerta. Aos portadores de pressão alta não-controlada, recomenda-se o acompanhamento médico mensal para reavaliação, até que a meta pressórica seja atendida. 
 
Antônio Amorim alerta que o não controle da pressão arterial favorece o desenvolvimento a longo prazo de problemas como o infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca, retinopatia hipertensiva, AVC e insuficiência renal. “A hipertensão arterial pode causar problemas diretos em órgãos nobres como coração, cérebro e rins. Mas se o paciente faz o controle e tratamento regular, a chance de complicações se reduz”, completa.   
 
Entre abril de 2021 e março de 2022 foi registrado que houve um aumento de vendas de medicamentos para hipertensão nas farmácias do País. Para o cardiologista, isto pode ter algo a ver com os reflexos da pandemia no comportamento das pessoas. “Muitas pessoas ficaram mais restritas e mais sedentárias durante determinados períodos da pandemia. Isso pode levar a aumento da obesidade”, diz. Muitos tratamentos também podem ter sido interrompidos pela falta de ida aos médicos. Muitas pessoas retomaram seus tratamentos e novos pacientes tiveram o diagnóstico, o que justifica o crescimento da procura por medicações. 
 
Hipertensão na gravidez
Desde cedo, a jornalista Maria da Guia Dantas aprendeu a conviver sob alta pressão. Ela “herdou” a hipertensão arterial da família, através da mãe e dos seis tios – todos com o problema. Ela acredita que uma série de fatores, incluindo os estresses causados pelo trabalho, podem ter precipitado o agravamento da doença nela, que precisou tomar medicamentos específicos a partir dos 31 anos. 
 
“No meu caso, foram as dores de cabeça constantes. É o tipo de coisa que a gente camufla com remédios, mas chegou uma hora que não deu mais. Fui ao cardiologista e foi identificado o problema real”, diz. A jornalista consta que as dores passaram a se expandir da cabeça para outras partes do corpo, portanto, foi preciso aderir a um medicamento específico para o problema. Há 12 anos, Guia toma seus remédios diariamente para hipertensão. 
 
O maior susto que a hipertensão causou à jornalista aconteceu durante sua segunda gravidez, aos 37 anos. “Fiz o pré-natal e a médica já me recomendou de cara um acompanhamento com cardiologista. Foi identificado no sangue a tendência a um problema grave de pressão”, conta. E o problema veio: Guia teve o diagnóstico de pré-eclâmpsia, e precisou ficar uma semana internada. A criança nasceu prematura, com 29 semanas de gestação. “Foi um período muito difícil, a agonia foi grande, mas no final deu tudo certo, felizmente”, conta. 
 
Hoje, a pressão da jornalista é controlada por medicação. O cuidado com o sal sempre foi tradição em casa, mas fora isso, ela come de tudo. O trabalho à frente de uma importante assessoria de imprensa política é algo que costuma deixar a jornalista sempre em alerta, mas ela afirma que está bem adaptada à situação. “Trabalho desde adolescente, mantinha dois empregos, sempre tive uma vida corrida. E agora, ainda inventei de fazer um mestrado. Acho que não gosto de sossego mesmo”, brinca.