Veredas da literatura potiguar – Tribuna do Norte

Na gaveta dos papéis desarrumados encontrei um recorte do jornal “Diário de Pernambuco”, de Recife, edição de 20 de agosto de 1982, lá se vão 43 anos quase. É um artigo assinado por Eduardo Oliver que fala sobre dois livros de autores potiguares: Valério Mesquita e Américo de Oliveira Costa. Título: “Duas visões do homem”. Transcrevo-o, começando pelo começo:
“A Fundação José Augusto, de Natal, lança dois novos títulos, dois livros que, apesar da diversidade de enfoque, possuem em comum o mesmo tema: o homem. “Em Macaíba de “Seu” Mesquita”, de Valério Alfredo Mesquita, o homem é o homem regional, intrinsecamente ligado à terra; homem construtivista em luta permanente com as adversidades, mas conservando uma cúmplice afetividade que fertiliza e engrandece cada um dos seus atos.
Político, proprietário de terras e comerciante, Seu Mesquita é um dos tipos inesquecíveis de Macaíba, terra de Auta de Souza e de Renard Perez, de inventores como Augusto Severo e de artistas plásticos como Rossini Perez; mas, principalmente, de homens capazes de alimentar o sonho humano com tenacidade e sacrifícios.
O texto de Valério Mesquita, objetivo, discreto, sem derramamentos ditirâmbicos, enxuto de filigranas, possui o sabor inesquecível de livro vivenciado com senso de humor.
Já o escritor Américo de Oliveira Costa, em “A Biblioteca e seus habitantes”, agora em segunda edição, coloca-nos diante do homem universal, do ‘scholar’, do intelectual em confronto com um mundo multifacetado, de perquirições e angústias existenciais, de embates íntimos. Revive, no livro de Américo de Oliveira Costa, professor emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, ensaísta percuciente, autor de uma nunca superada Viagem ao Universo de Câmara Cascudo, o homem pascaliano, para o qual, existir equivale a pensar.
São deliciosas as suas observações acerca de autores vivos e mortos, de Shakespeare e Carlos Drummond de Andrade, passando por uma numerosa família espiritual que inclui, entre outros, Marcel Proust, André Malraux, Alain, Dostoievsky, Oscar Wilde, André Gide, Osman Lins, Lawrence Durrel, Pierre Loti, Chateaubriand, Cecília Meireles, Virginia Woolf, Marguerite Yourcenar, Anais Nyn e Luís da Câmara Cascudo.
Valério Mesquita e Américo de Oliveira Costa, trazem, através de caminhos opostos, para o centro do mundo, o homem na sua inquietante aventura – indestrutível porque o alimenta, não apenas o sonho, mas o desejo de superar-se, seja pelo trabalho, seja pelo estudo. ”
No Conselho O Conselho Estadual de Cultura volta às suas atividades rotineiras na sala que ocupa na sede da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, rua Mipibu, 443, Petrópolis. O espaço foi reformado de acordo com o projeto da arquiteta Gladys Fernandes, com o adjutório do empresário Antônio Gentil, também integrante do Conselho. A reunião está marcada para o dia 11, começando às 16 horas. O presidente do Conselho é o escritor Valério Mesquita.
Cinema Hoje à noite, em Los Angeles (21 horas de Brasília), tem a entrega do Oscar. O Brasil está na parada com o filme “Ainda estou aqui”, a atriz Fernanda Torres destaque na tela e no palco. O filme foi indicado em 3 categorias: melhor filme, melhor filme internacional e melhor atriz. Ancelmo Gois, em sua coluna de O Globo, ressalta: “Ainda estou aqui” segue com a bilheteria em alta com a proximidade da grande premiação do cinema mundial. O faturamento da produção brasileira já supera os US$ 27 milhões de dólares, equivalentes a mais de R$ 157 milhões.
Eloy de Souza Para não esquecer: terça-feira que vem, 04, é o aniversário de nascimento de Eloy Castriciano de Souza (1873). Jornalista, escritor, político, deputado federal, senador. Dos mais importantes jornalistas potiguares. Foi diretor de A República. Imortal da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, onde ocupou a cadeira 15, cujo patrono é Pedro Velho. Eloy nasceu no Recife e faleceu em Natal no dia 7 de outubro de 1959. Tinha 86 anos.
Raízes africanas Deu na Folha de S.Paulo: O carnavalesco Paulo Barros (Unidos de Vila Isabel) afirmou esta semana “que qualquer imbecil” sabe que o samba e o Carnaval do Brasil têm raízes africanas.
A maioria dos enredos deste ano são afro, tudo já visto e revisto.
Buraqueira Findando mais um mês (entramos agora em março de São José) e continua a buraqueira nas ditas “rodovias” do Rio Grande do Norte. Esses caminhos lembram a Ucrânia, no outro lado do mundo. Um exemplo gritante desses abandonos: a RN-203, no trecho entre as cidades de São Pedro e São Paulo do Potengi.
São 17 quilômetros de buracos, sem falar na falta de acostamentos. Uma doideira, ladeira acima, ladeira abaixo. Ida e volta. Muita sofrência, sim.
Roberto Furtado Perdemos Roberto Furtado, que se encantou quinta-feira, 27, aos 91 anos. Advogado (foi presidente da OAB), político (deputado estadual por 3 mandatos), secretário de Estado e vice-prefeito de Natal. Do time das grandes figuras natalenses.
Chuva Fevereiro findando com chuvas em várias regiões do Estado, mais concentradas no Oeste. O acumulado da semana (de segunda-feira, 23, a sexta-feira, 28) aponta o município de Luís Gomes com 109 milímetros, seguido de Portalegre com 100, Martins, 96, Alexandria, 68, Taboleiro Grande, 60, São Francisco do Oeste, 54, Paraná, 44. São números da Emparn.
Poesia “Nessas horas de exílio, o pensamento/ vara as janelas grávidas de chuva/ e se antecipa longe, e se projeta/ uma gaivota ansiosa em pleno voo”. (De Zila Mamede em seu poema “Chuva”).
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